Raphael Rabello – Desvairada

Posted 03/04/08 by Edd
Categories: Videos

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Raphael Rabello, tocando Desvairada (Garoto), em 1992, na residência de Pascoal Guimarães, seu amigo. Reparem na técnica absurda do Raphael e como parece fácil tocar este choro, ainda mais nesta velocidade (e você consegue ouvir TODAS as notas “limpas”)!!

Soneto de fidelidade

Posted 02/04/08 by Edd
Categories: Textos Diversos

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Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

VINICIUS DE MORAES

Estoril – Portugal, 10.1939

Tom, sobre “Garota de Ipanema”…

Posted 02/04/08 by Edd
Categories: Histórias da MPB

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“Garota de Ipanema também tem uma coisa universal. Um americano disse que o sentimento da “Garota” passa. O sujeito está lá trabalhando, furando a rua, quebrando pedreira, e dá uma espiada. Esse é um sentimento universal. O cara pára de tomar o chope e olha para a garota, não é? É claro que quando a gente fez não pensou em nada disso. A gente só via a garota passar. O Vinicius era casado, eu era casado, a garota que passava por ali era muito jovem. Nós, como homens casados, não podíamos nos aproximar muito. Ela também certamente queria fugir desse assédio, de homens notoriamente casados e com filhos. Não tinha idade para ter liberdade. Nem cantávamos para ela quando passava. Primeiro, porque não podia tocar violão no botequim. O português proibiu logo, porque violão dá briga. Nossa atitude era bem discreta. Inclusive a garota era filha de um general do SNI, mas nós não sabíamos disso. Nós estávamos ali por causa do chope, não é? Eu pedi ao Vinicius uma letra e ele fez a letra. A gente não achou muito boa, ele fez outra letra. A que ficou foi a terceira letra.”

Tom conhece Vinicius…

Posted 02/04/08 by Edd
Categories: Histórias da MPB

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“Conheci o Vinicius mais ou menos em 53, mais de obas e olás. Em novembro de 1956, começamos a parceria. A verdadeira apresentação ao Vinicius foi feita pelo Lúcio Rangel. Foi aí que começamos o trabalho no “Orfeu da Conceição”. Minha conhecência com Vinicius de Moraes foi uma coisa ligeira. Os amigos do Vinicius era bem mais velhos do que eu, mais velhos que o Vinicius. Nós tínhamos uma diferença de 14 anos, mas o Vinicius tinha amigos mais velhos ainda que ele, como Di Cavalcanti, e tinha aquela turma da idade dele, como o Guimarães Rosa.
O Vinicius fez a letra do “Chega de saudade” do meu lado. Ele não gostava de trabalhar sozinho. Preferia trabalhar ao lado do piano. O Chico preferia que eu mandasse a música para ele. No caso do Vinicius, ele também tocava um violãozinho e fazia músicas muito boas. “Valsa de Eurídice”, “Medo de amar”, “Serenata do adeus”, tudo isso é música e letra de Vinicius. Eu simplesmente orquestrei como está lá nos discos. Botei uma coisinha ou outra, umas cordinhas também. A economia não deixava a gente trabalhar com mais de quatro violinos, às vezes nem isso.
A convivência com o Vinicius foi maravilhosa. Aquela amizade, a gente ria, a gente saía, comia umas coisinhas, comidinha de bêbado, como dizia ele. Uns camarõezinhos e aquele uísque todo. Antes de me conhecer, ele bebia chope no Alcazar. Depois, com a ida para o Itamaraty, foi levando a vida no uísque. Vinicius me levou para aquelas casa bonitas do Cosme Velho, aquelas mulheres bonitas, cheirosas. Ele conhecia a alta sociedade do Rio, esse pessoal tradicional.

Normalmente, a gente começava a compor de tarde, nós estávamos ainda na base do café, mas Vinicius de Moraes não gostava muito de café. Conforme a tarde começava a cair, a gente ia fazendo a música, tomava um cafezinho, os dois fumávamos aqueles cigarros todos, tragando aquela fumaça, no apartamento da Rua Nascimento e Silva,107. Às quatro e meia, começava a cerveja. Vinicius, ao contrário do que esse pessoal todo diz, tomou muito chope. Tenho fotografias dele tomando chope.”

Indignação sobre crítica musical

Posted 02/04/08 by Edd
Categories: Resenhas


Li essa semana, uma crítica sobre um CD (LP Remasterizado) do encontro entre Baden Powell e Stephane Grappelli, La Grande Reunion. O texto foi escrito por Ken Dryden, do All Music Guide.
Na resenha ele escreve (pequeno resumo):

“Powell is a talented guitarist but not exactly at the level of the artists who Grappelli recorded with during his long career. But the music is at least enjoyable even if it isn’t overly memorable. Overall, this now out of print CD will likely be sought only by those who must own Grappelli’s complete discographical output; anyone else can safely bypass this uneven release.”

Vamos lá. A minha dúvida é se o cara CONHECE música brasileira ou apenas não gostou do que ouviu. Acho que gosto realmente é pessoal. Agora quando você vai escrever uma resenha, “profissionalmente”, você tem que se valer de fundamentos para justificar sua opinião. Conhecer a cultura do artista e a sua história também.
Baden Powell foi um dos maiores violonistas do Brasil e do mundo. Sua técnica e bom gosto foram apreciadas internacionalmente. Fez sólida carreira na Europa (tinha residência fixa na França) onde é, até hoje, reverenciado.
O encontro com Stephane Grappelli foi único e mágico. A harmonia entre os dois músicos foi imediata, como se já tocassem juntos a anos. E TODO ESSE DISCO FOI GRAVADO (incluindo ensaio) NO MESMO DIA. DE PRIMEIRA.
Ou seja, o critico americano foi MUITO infeliz na sua resenha.. Prefiro pensar que ele não conhece nossa música e, além disso, emitiu sua opinião pessoal sobre o trabalho. No meu ver, nada profissional.

Os 100 Melhores CDs da MPB

Posted 02/04/08 by Edd
Categories: Resenhas

Comprei hoje esse livro (ver título acima) e fiquei maravilhado. Muito boa seleção. Já estou pesquisando os cds para ver se acho nas lojas aqui no Rio… :)
Para não me demorar em texto longo (o que seria inevitável) sobre este livro, segue o link de uma excelente resenha já feita sobre o mesmo.
Para quem é entusiasta da MPB como eu, ACONSELHO!

P.s.: esse foi o número 1 de 6 livros que comprei hoje.. Depois falo dos outros.

Certezas

Posted 02/04/08 by Edd
Categories: Textos Diversos

Não quero alguém que morra de amor por mim…

Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu a amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível…
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento…e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ela é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros… Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena.

Mário Quintana